GNS3 e as portas console

GNS3 deve ser o software mais utilizado para estudo e simulação de redes Cisco. Se o utiliza, sabe do que estou a falar. Se não… é hora de começar.

Mas alguma vez se perguntou como é possível simular acesso às portas consola/serial dos routers?

console port

O GNS3 é cada vez mais, um software de orquestração de vários componentes, sendo o principal o dynamips. Dynamips é o emulador que permite correr em PCs imagens Cisco IOS de alguns routers totalmente baseados em software e o GNS3 é simplesmente um frontend ou GUI (Graphical User Interface) que facilita ao utilizador a criação de topologias que de outra forma teriam que ser criadas com muita luta com ficheiros de texto.

Para testar esta afirmação abrimos uma topologia nova. O que acontece quando adicionamos o 1º router à topologia?

Processo Dynamips

Processo Dynamips

Processo Dynamips. Conexões TCP

Processo Dynamips. Conexões TCP

E no 2º router?

2 Processos dynamips

2 Processos dynamips

Basta adicionar routers à topologia e são iniciados processos dynamips, mesmo sem correr a simulação.

E o que acontece quando se corre a simulação?

Dynamips 200x listening

Duas novas portas TCP em “escuta”

Os processos mantêm-se com a diferença que são criadas 2 novas ligações TCP (portas 2001 e 2002) em “escuta”, prontas para receber ligações. Tocaremos nelas um pouco mais à frente.

As “consolas” no GNS3

O click duplo em um dos routers abre o cliente telnet configurado (putty no meu caso) e é possível ver a ligação telnet estabelecida.

Conexão TCP putty. R1

E o duplo click no segundo router?Conexão TCP putty. R2

As duas conexões TCP do putty

As duas conexões TCP do putty

Facilmente se vê que as ligações “console” são na verdade ligações TCP para o localhost (127.0.0.1) nas portas 2001, 2002, 20.. O GNS3 inicia o cliente automaticamente com as configurações correctas para o router desejado. As portas são escolhidas de forma sequencial à medida que se adicionam os routers à topologia.

Passando o mouse por cima de qualquer router permite ver a porta usada para a console.

15_r2viewconsoleport

A gama de portas pode ser alterada na janela de configurações do GNS3.

Menu: Edit > Preferences  ;  Server > Local Server > Console Port Range …

configuração gama de portas

Configuração da gama de portas console

A alteração destas portas pode ser útil em caso de conflito com outros serviços. Há um caso conhecido do antivirus Bitdefender e a porta TCP 10000.

Qual a utilidade desta informação?

Esta informação não serve como simples “conhecimento geral” mas tem alguma utilidade. Pessoalmente, foi útil em testes de automação e screen scraping de dispositivos de rede sem a necessidade de equipamentos reais ou de ter que criar uma rede virtual com endereçamento IP. Os testes com telnet para 127.0.0.1:200X foram suficientes.

Uma outra utilidade é o “disparo” rápido de consolas para laboratórios frequentes com muitos routers em clientes que permitem estruturas de pastas de ligações como Secure CRT.

Conexão a pastas Secure CRT

Como definir manualmente as portas?

A atribuição de portas aos routers não tem que ser automática. Se necessário, é possível alterar as portas atribuídas às consolas.

Opção 1

Alterar a configuração do router na topologia:

Clique direito > Configure > Aba General > Console port

Configuração da porta console no GUI

Configuração da porta console no GUI

Opção 2

Se for um pouco mais aventureiro, depois de gravar o projecto GNS3 é possível editar o ficheiro .gns3 na pasta do projecto.

Cada router está dentro de um grupo “nodes”. A porta consola é a propriedade “console”  por baixo do grupo “properties” de cada objecto.

Espero no futuro escrever mais sobre o formato do ficheiro .gns3.

Configuração da porta console no ficheiro .gns3

Configuração da porta console no ficheiro .gns3

Remote Servers?

Caso tenha reparado nas capturas, além das portas console, o GNS3 tem muitas outras opções de rede e portas (local port 8008 TCP, host binding 127.0.0.1, etc.) Esta característica do GNS3 permitir a comunicação dos vários elementos através da rede permite correr simulações distribuídas com o cliente em uma máquina e um ou vários servidores (hypervisors dynamips) em servidor(es) remoto(s).

Interessado em saber mais sobre isto?

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Caso interesse, as capturas de processos e ligações de rede (um netstat GUI) foram feitas com o TCPView e Process Explorer da Sysinternals/Microsoft.

 

2 Comments GNS3 e as portas console

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